Comentário Macroeconômico
Pouco mais de vinte anos depois da derrota do governo Fernando Henrique na votação da reforma da Previdência, estamos às voltas com outro embate no Congresso sobre o mesmo assunto. O atraso fez com que a reforma mais simples de 1997 se transformasse em algo muito mais complexo agora.
Mas passados vinte anos o que não se pode mais fazer é tergiversar sobre a realidade da crise na previdência. Os números hoje são mais do que claros para mostrar a necessidade de uma mudança radical. Basta lembrar que, hoje, 59% do gasto primário, ou seja, sem considerar os juros pagos, vão para a previdência. Sobram 41% para todo o resto do gasto público. Na minha estimativa, até 2030 esse número chegará a 91% se não houver nenhuma reforma, sobrando obviamente 9% para educação, saúde, et
Em 1964, eu fazia o curso de Economia da FEA-USP, quando tive de começar a cuidar de uma fazenda de café na região de Maringá (PR). A tecnologia mais simples da época permitia tocar a propriedade com viagens a cada 45 dias, sem que tivesse no local nenhuma estrutura administrativa mais pesada. Hoje, isso seria muito difícil.
Essa experiência, que durou 20 anos, foi complementada por outra: durante 1965 trabalhei, com Guilherme Silva Dias, como assistente de pesquisa, num projeto, que virou clássico, onde o professor Antonio Delfim Netto mostrou que a política de valorização dos preços do café dos anos 50 havia resultado numa elevação da concorrência, de sorte que “blends” de cafés robusta africano e arábica suaves da Colômbia (na base 75/25) reproduziam vantajosamen